#1 Autores: Lima Barreto

by - sábado, janeiro 27, 2018

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Olá pessoal!
Hoje eu estou aqui para inaugurar um novo quadro aqui do nosso blog sobre autores. A gente foca tanto nos livros e resenhas por aqui que achamos legal falar um pouco sobre as pessoas que estão por trás deles, até porquê, sem eles não teríamos esses livros maravilhosos para ler.

Para o primeiro post sobre os autores, eu escolhi o Lima Barreto, escritor do século XIX que foi considerado um dos piores escritores dentro de sua época e que sempre foi posto à margem pelos críticos e por toda a nata elitista de seu tempo.

Nascido em 13 de maio de 1881, mulato, jornalista, engajado socialmente, Lima Barreto possuía uma maneira única de criar e desenvolver sua literatura. A linguagem de sua escrita é sua marca registrada e foi o que o marcou como um escritor à margem, estando presente em uma sociedade altamente conservadora, simbolista - que visa uma linguagem mais rebuscada - ele inova ao tratar de assuntos do cotidiano com uma escrita que reflete o português falado nas ruas. 

Sua obra mais famosa é o livro Triste Fim de Policarpo Quaresma, o livro conta a história de Policarpo, um nacionalista extremista que acredita no Brasil e que possui ideais de um país repleto de matas, índios e todas as belezas naturais que foram tão exploradas através da literatura em livros como Iracema, ou em poemas como Canção do Exílio:

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

(Canção do Exílio, Gonçalves Dias)

Porém, o personagem de Lima, sofre e se destrói a partir deste seu nacionalismo exacerbado se afunda em todos os seus ideais. Um apontamento à uma sociedade elitista, patriótica e que explica toda a construção social que perdura até hoje no Brasil.

Assumindo uma atitude de engajamento, Lima Barreto constrói uma literatura que critica o academismo e a retórica, ele começa a inovar e a estabelecer o seu próprio estilo de escrita, que vai cunhar uma nova forma de fazer literatura, o escritor que se despe de um padrão e cria uma autonomia, o que dá a ele liberdade para escrever no estilo jornalístico, sem floreios, e que tem um grande apelo social. Sendo mulato, tendo problemas com bebidas, internado no hospício duas vezes, e negado duas vezes o seu ingresso na Academia Brasileira de Letras, toda a sua condição humana influencia e alimenta a sua revolta perante ao sistema e isso é extremamente visível em suas obras, como ele mesmo vai dizer no prefácio de Recordações “eu não sou literato, detesto com toda paixão essa espécie de animal. O que observei neles... foi o bastante para não os amar, nem os imitar. São em geral de uma lastimável limitação de idéias, cheios de fórmulas, de receitas, ... curvados aos fortes e às idéias vencedoras, e antigas, adstritos a um infantil fetichismo do estilo e guiados por conceitos obsoletos e um pueril e errôneo critério de beleza.” (pág. 34).

A posição do autor perante a sociedade e a quantidade enorme de crônicas publicadas nos jornais da época, vão ser alguns dos pontos que vão marcá-lo como um escritor maldito. Posição esta que só vai começar a ser desconstruída depois de sua morte em 01 de novembro de 1922, alguns meses após a Semana de Arte Moderna, que foi realizada do dia 11 ao dia 18 de fevereiro de 1922, e que foi o marco do início do Modernismo no Brasil, e que possuía os ideais que foram cunhados na obra de Lima. Ou seja, o escritor já estava disseminando ideias e construções narrativas que foram adotadas por um grupo anos depois, esse deslocamento no tempo faz dele um escritor contemporâneo - aquele que está preso há um determinada época - mas que possui uma voz narrativa que viaja através dos tempos.

Sua voz que sofreu diversas tentativas de ser abafada, hoje consegue sobreviver e conseguir o reconhecimento que há tanto tempo foi merecido, suas obras, tão atuais quanto os seus ideais políticos e sociais, hoje conseguem falar e se comunicar com o leitor contemporâneo; e uma das tentativas mais recentes de entregar sua voz de volta ao autor foi a homenagem direcionada à ele na FLIP (Feira Literária de Paraty) aqui no estado do Rio de Janeiro em julho deste ano.

Algumas outras obras do autor:
Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909)
Numa e a Ninfa (1915)
Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919)
Os Bruzundangas (1923)
Clara dos Anjos (1948)
Diário Íntimo (1953)
Cemitério dos Vivos (1956)

Alguns livros didáticos caracterizam o escritor como pré-modernista, mas é importante que a gente pense um pouco além disso, ele esteve presente em um momento de transição da literatura brasileira, é extremamente difícil encaixá-lo dentro de uma caixinha e dizer que ele possui apenas um único estilo literário. Por isso é tão importante conhecermos um pouco das obras do autor e da sua própria trajetória, um escritor sempre vai ser mais do que apenas uma obra importante ou um estilo mais apurado. 

Termino o post de hoje indicando a leitura desse grande autor brasileiro, ainda não tive a oportunidade de ler muitas obras dele, mas fiz um trabalho sobre ele em Literatura Brasileira III com as suas crônicas. O livro que mais quero ler dele atualmente é Cemitério dos Vivos, e vocês? Ficaram interessados em alguma obra? Gostaram desse tipo de post aqui no blog? Conta pra gente nos comentários aqui embaixo ou nas nossas redes sociais.
A gente se vê no próximo post.

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