#3 Reli e agora?

by - quarta-feira, fevereiro 07, 2018


Olá pessoal!

Hoje eu estou aqui para mais um post da série “Reli, e agora?”, no qual a gente basicamente relê um livro e comenta pra vocês como foi a nossa experiência com um segundo olhar sobre a obra, caso vocês não tenham conferido o outro post, é só clicar aqui que você vai ser redirecionado para essa categoria no blog, beleza?

Enfim, vamos começar, hoje eu vou falar sobre A Hora da Estrela, da maravilhosa Clarice Lispector. Eu conhecia a autora apenas por trechos, quando resolvi dar uma chance para esse livro na primeira vez, uma amiga minha é apaixonada por ela e me convenceu a ler. Eu odiei cada pedaço desse livro. Foi torturante e horrível e achei que nunca mais ia conseguir ler nada da Clarice em algum momento da minha vida futura, porém, o tempo passou e na faculdade o meu grupo escolheu A Hora da Estrela para podermos fazer o seminário da matéria de Literatura Brasileira VI (pra quem não sabe, eu sou estudante de Letras  Literatura).
Eu quase surtei e falei para todo mundo que não ia ler o livro de novo, e que eles iam ter que se contentar com a minha análise baseada em resenhas e resumos; mas, nerd que sou, não conseguiria fazer um trabalho desse porte sem ao menos reler o livro para poder fazer um trabalho decente.
Eu nunca fiquei tão feliz por ter dado uma segunda chance à algo na minha vida, esse livro definitivamente precisava ser lido de novo por mim.

Para quem não sabe, A Hora da Estrela conta a história da Macabéa, uma nordestina que migrou para o Rio de Janeiro e que trabalha como datilógrafa. A história de Macabéa não é algo que de fato influencie na construção do livro, sua vida é tão miserável que não há muitas coisas para serem contadas, ela é órfã, mora num quarto que divide com mais três meninas, come cachorro quente com Coca-Cola em todas as refeições porque é mais barato, seu doce favorito é queijo com goiabada e seu conhecimento de mundo é tão raso quanto os riachos do sertão. O seu único contato com qualquer tipo de conhecimento é através da Rádio Relógio que ela escuta interminavelmente, mas até mesmo essa brecha do que poderia ser o início de algo, não evolui para nada no momento em que ela não consegue fazer relações com aquilo que escuta, a Rádio Relógio é o eterno ruído que preenche os silêncios de Macabéa, porque é através destes ruídos que ela se livra do peso e da complexidade do ato de pensar.

Já que estamos falando em pensar, precisamos falar um pouco sobre o narrador, ele, que no início do livro se denomina como Rodrigo SM, resolve falar de Macabéa para falar sobre si, engana-se quem pensa que o livro é apenas uma narração construída para falar sobre a vida de uma nordestina, o Rodrigo é a representação do próprio pensar e do ato de escrever. Ele que define o livro como uma pergunta, passa páginas e páginas se indagando sobre o seu lugar no mundo como pessoa, como ser pensante, como escritor. Divagações e subjetividade são a matéria prima dessa obra de Clarice, e eu me senti muito bem em poder reler esse livro e descobrir um pouco de mim nas suas páginas.

A primeira coisa que eu percebi quando eu comecei a gostar do livro foi que faltou uma grande sensibilidade minha quando li na primeira vez, e um pouco de disposição também, algo que eu aprendi com minha professora de Literatura nas suas aulas é que a gente precisa assinar um pacto de leitura ao começar uma obra, quando a gente sabe que ela é difícil, complicada, antiga, ou simplesmente diferente da nossa zona de conforto, é preciso sim estar disposto e aceitar a proposta que o autor fez com você. Claro, nada disso garante que você vai amar o livro, mas já é o começo para que você saiba interpretar as nuances e as diferenças da obra, para podermos falar mal, também é preciso ler e ter lido bem.

Então pessoal, me despeço de vocês hoje com essa recomendação de livro e de experiência; que tal dar uma chance para aquele livro que você não curtiu tanto assim quando leu na primeira vez? Leia com outros olhos. E se, mesmo assim você não gostar do livro faça uma doação para a biblioteca da sua cidade, com certeza alguém vai se identificar com ele.


Alguém aí já passou por essa mesma experiência que eu e amou o livro quando leu pela segunda vez? Me conta aqui nos comentários ou nas nossas redes sociais que estão aqui do ladinho, vou adorar conversar com vocês. A gente se vê no próximo post.


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